08.07.2017
Pitchfork: “Praying” era um hino antes mesmo de que uma nota musical fosse escrita

No final de “Praying”, Kesha solta um breve suspiro de alívio. Ela apenas gritou com toda a força, elevando-se acima de um coro jubiloso no clímax de sua primeira música em quatro anos.

Mas, liricamente, a balada é ligeiramente contida, pelo menos considerando tudo o que ela passou. É como dizer à pessoa que arruinou sua vida para “se cuidar” quando o que você realmente quer dizer é “vai se f*der!”. Em um verso ela diz: “Quando eu tiver terminado, eles nem saberão o seu nome.”

Kesha está distribuindo beijos aparentemente mais severos para os homens em suas músicas, mas o contexto aqui faz isso particularmente violento. Tem uma música sobre abuso sexual, você já tinha visto isso tão publicamente?

Nos últimos anos, confessionários como “Til It Happens To You”, da Lady Gaga, acenderam uma luz necessária sobre o problema, mas raramente conhecemos os dois lados de um caso em detalhes tão minuciosos quanto ouvimos nessas músicas. É ainda mais raro assistir um homem poderoso da indústria vendo sua carreira sofrer por suas ações (já que sempre são as mulheres que pagam o preço).

Embora a Sony finalmente tenha cortado os laços com Dr. Luke, com quem Kesha trabalhou em estreita colaboração e esteve envolvido em uma batalha legal durante anos por causa de seus abusos habituais, “Praying” foi lançada pela própria marca de Luke, a Kemosabe, devido as obrigações contratuais. Apesar dessas circunstâncias, “Praying” marca um novo começo significativo para Kesha. A cantora bravamente expôs seu abusador, viu #FreeKesha se transformar em um grito de união, e agora decidiu que irá avançar vitoriosamente, mesmo que o tribunal não tenha exatamente considerado isso. É uma declaração poderosa, mesmo que a melodia familiar no piano faça com que a música soe um pouco morna.

Em teoria, “Praying” era um hino maciço antes mesmo de que uma nota musical fosse escrita, e parece que foi feita para construir precisamente essa qualidade. No seu início, ela toca o coração como Adele fazendo a palavra falada; No final, como Florence Welch dirigindo uma orquestra. Mas no centro há a voz de Kesha, sem manipulação digital e mais forte do que costumava tocar nos hits produzidos por Dr. Luke. Ele não pode mais tirar isso dela.

Matéria original por Pitchfork.

 

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Fã desde 2010, apaixonado e inspirado pelas letras da Kesha, taurino de São José dos Campos-SP. Amante da cultura oriental e futuro biólogo.

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